5 de Dezembro de 2011

Fitas de Möebius

Lamento, mas nada, nada, nadinha mudou.

Por exemplo, não me fizeste regredir a calvície,
não me puseste a falar como os loucos,
não curaste os doentes nem insuflaste de vida os moribundos,
não alimentaste, dessedentaste e aqueceste os miseráveis,
não empalaste publicamente todos os políticos actuais, demitidos da defesa da democracia,
não deste ao povo aquilo que Abril devia ter-lhe trazido,
não evitaste nem promoveste
o holocausto eco-apocalíptico,
não espalhaste o poema enquanto
talvez o acto supremo de poliamor livre,
a terra agredida pelo progressexcesso
humano auto-regenera-se qual organismo vivo,
sem que tu tenhas alguma coisa a ver com isso
os meus dias lêem-se iguais como ondas
inexpressivas, sem pequenos grandes
pormenores idiossincráticos que as distingam

Mas quando mo-ro-sa-men-te me fitas
eu mo-ro-sa-men-te te fito

E se isto não é, bem, não sei (mesmo)
nem quero saber o que somos

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