6 de Outubro de 2011

Para Tomas, desde Julho de 78

Caríssimo Tomas, sei que tem um Nobel
a caminho, mas, se lhe interessa, saiba que os seus versos translúcidos e
sobrenaturais, muito antes da fama e proveito planetários,
já conquistou o meu coração e o de milhões.
E um pouco da minha inveja, perdoe-me a confissão de
humanidade.


Farto de escrever palavras onde não há linguagem,
não fujo para uma ilha branca,
não escolho o caminho da veação (todas as vidas me são caras
da cara) nem encontro vestígios de cascos de corça na neve.
gostava de escrever com toda a crença religiosa/ espiritual/ mística
que a mancha de letras negras se move nas cintilações lunares do papel
junto do leve tremor dos cortinados da janela semi-escancarada,
e nunca desejar tanto que as propriedades mágicas da poesia
não fossem mentira.



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